
A diferença capital entre o bem e o mal está na consciência de quem assim procede. É a partir da consciência que tudo acontece ou deixa de acontecer. É a consciência quem deriva para um lado ou para o outro o nosso proceder na vida. E o que fazer, então, para que a nossa consciência incline-se para o bem e não para o mal¿
Esta pergunta faz-nos lembrar de Jesus. Quando instigado, no deserto, pelas consciências perversas sobre o seu trabalho na Terra, Ele, consciente de seu papel e de sua união com Deus Pai, respondeu que era a vontade Dele que Ele produzia e, por estar certo disso, não temia a nada nem a ninguém. O que temos que nos perguntar e responder é: estamos desenvolvendo a nossa vida em consonância com o que quer nosso Pai Amantíssimo¿
Esta outra pergunta nos faz procurar nos Evangelhos de Jesus uma referência de resposta, meus irmãos. Quando Jesus resumiu na prática do amor tudo o que precisávamos para sermos felizes e nos encontrarmos com o Pai, deu-nos, sinteticamente, “as chaves dos céus”.
Para estar com Deus, para praticar o bem e não o mal, devemos procurar nas nossas consciências se estamos amando ou não. É este conhecimento fundamental um divisor de águas para responder à pergunta inicial. Todas as demais derivam, portanto, dela.
Insisto em falar, portanto, no amor porque tenho visto, do lado de cá da vida, muitos que teimam em soluções mirabolantes para o grande enigma da vida, se perdendo em mil teorias, quando, na verdade, tudo se resume em “amarmos uns aos outros como Jesus nos amou”. Ponto final nesta discussão.
Os outros, aqueles que acham que deveríamos inquirir mais da vida, talvez por desconhecimento ou por não conseguir alcançar a grandeza destes sentimentos, ignoram esta verdade máxima e passam a procurar em lugares sagrados, em textos fenomenais, em situações extremas, ou outro caminho qualquer, a grande resposta.
Meus queridos irmãos, por que teorizar em cima do óbvio¿ O argumento, possivelmente, está na nossa incapacidade de exercitar o amor.
O exercício do amor exige despretensão. Sim, despretensão. Quando se deseja aprender a amar deve-se ir tentando, aproveitando as oportunidades, esquivando-se aqui e ali por pura incapacidade de ainda amar plenamente, mas alcançando avanços pontuais e ir prosseguindo na caminhada. Os que forem com muita sede ao pote, certamente, cairão com os burros n’água.
Eu mesmo, quando em vida física, tentei dar passos mais significativos. Via o quanto eu devia progredir, mas havia coisas ainda em mim que me impediam de dar saltos maiores. Demorei a entender isso, confesso, porque, achava eu que, na condição de padre, eu deveria fazer mais. Fiz, é verdade, o que me cabia, mas cobrava-me bem mais.
Isto é preciso que se diga para nos contentarmos com pouco. Contentarmos com pouco não por acomodação, mas sabendo que se faz é o que se pode avançar, consequentemente, o que foi possível.
Meus irmãos, dêem tempo ao tempo procurando cumprir a sua parte e assim, de passo em passo, haverás de alcançar as alturas na feitura do bem entre os homens.
Que Deus nos abençoe, irmãos.
Helder Camara
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