Quando vejo do lado de cá tantos aleijados, tanta gente faminta, tanta desordem, tanta corrupção, tanto a se fazer, comento à Deus Pai: como sua obra é interminável, Amantíssimo.
Há tanto a se fazer, é verdade, mas descubro, que há tanto a se fazer, primeiramente, em nós. Estas mudanças que desejamos, que achamos como fundamentais para o desenvolvimento da humanidade, que tanto reclamamos, elas somente podem ser construídas se houver a mudança fundamental na nossa maneira de agir. Ora, o que é o mundo, a humanidade, se não o somatório de todos os seus integrantes¿ Eu quero mudança, mas eu não mudo, então a mudança será mais lenta, obviamente.
O mundo vai mudar, porém, muito – e em breve.
Noutro artigo, citei algumas delas. As mudanças que estão sendo preparadas impactarão, sobretudo, no coração dos homens. Haverá que produzir um cataclisma moral na humanidade, mais do que o de ordem física.
Quando refiro-me a estas mudanças monumentais que estão por vir, alertamos para o papel de cada um à medida que cabe o esclarecimento da necessidade da serenidade diante delas. Os reclamos da humanidade terão fim, mas o fim começará a povoar, inicialmente, o coração dos homens.
Da Bélgica ao Japão, do Iraque a São Tomé, do Peru a Alemanha, seja de onde for, os homens serão convocados a uma reciclagem moral de alto impacto. Terão que se submeter às mudanças incrementais dentro de si mesmo, alterar seus paradigmas da vida de modo impressionante. Tudo isso para merecer ficar aqui neste planeta maravilhoso.
As mudanças serão inevitáveis em todos os campos do saber, em todas as paragens tecnológicas, mas porque o homem entenderá que tudo que aí está não será mais condizente com a felicidade humana. Incapaz se ser feliz dentro dos parâmetros que até agora adotou, o ser humano será forçado a mudar e mudar para melhor. Inicialmente, creio, atabalhoadamente, mas, crescentemente, por tentativa e erro, para os patamares desejáveis de evolução mundial.
Não condiz mais o desenvolvimento de alguns países em detrimento de outros.
Não será permitido mais que a maioria das gentes fiquem concentradas em bolsões enormes de pobreza, enquanto meia dúzia de nações ricas possua uma vida de extremo conforto.
Não caberá mais imaginar o desenvolvimento sem o componente da sustentabilidade em todos os seus aspectos: ambientais, culturais, econômicos, sociais e, principalmente, espirituais.
Não poderemos mais admitir guerras e batalhas cruéis.
Não falaremos mais em armamentos bélicos num ambiente onde se prolifere a paz.
Não citaremos, em nossas estatísticas oficiais, índices de violência, pois elas deverão bater em retirada definitivamente da face da Terra.
Não teremos mais espaço para as corrupções, para o medo, para a ganância desenfreada, para a apartação de povos, para a iniquidade, para tudo, enfim, que atrasar o desenvolvimento humano.
Será, finalmente, o ponto de partida para a criação do Reino de Deus na Terra prometido pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.
Este dia, Pai, está por vir. Eu sei e Tu sabes mais que ninguém. Preparemo-nos, então, cumpramos a nossa parte e construamos o éden do Senhor em nosso planeta.
Um abraço,
Helder Camara

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