A perspectiva mundial perante a crise que assola muitos países é preocupante, não pela crise em si, que já deveria ter estourado há tempo, mas pela inclusão de novos países no bolo econômico internacional.
Tudo o que vemos faz parte de um grande arranjo mundial de sobrevivência econômica e do surgimento de uma nova ordem entre os países. O eixo de decisão da economia começa a mudar, esta é a verdade, e poucos sabem até onde isto vai dar.
A Europa está atônita. Os Estados Unidos não sabem bem o que fazer. A China e outros países do Oriente, como a Coréia do Sul, iniciam um movimento de aproximação definitiva ante os grandes mundiais. Os países de grande porte como Brasil, Rússia e Índia, junto com a China, juntam-se para demonstrar a sua força e, com isso, fortalecem-se continuamente. O que tem isso a ver com os nossos comentários dominicais nesta coluna¿ Como o mundo muda, mudarão as relações econômicas, mas devem, igualmente, mudar as relações internacionais e a discussão de nova agenda social e ambiental para o bem das nações. Se isto não mudar, meus amigos, todas estas mudanças representarão, tão-somente, um movimento de troca de mãos.
Durante séculos, vivenciou-se enorme disputa pela hegemonia mundial. Ora, a Roma dos Césares, depois nações mais pungentes como França e Inglaterra, mais recentemente os Estados Unidos da América e agora o G7. Tudo isso, em vez de representar uma ação global de mudanças, representou grande poder de uns sobre a miséria do resto, a verdadeira política do salve-se quem puder. Por que isto tem que mudar¿
As mudanças avisadas, como citei noutros artigos, envolvem mudanças econômicas com consequências sociais para um número cada vez maior de pessoas. Não podemos mais construir progresso isoladamente. Não podemos ausentar do desenvolvimento das nações aquelas que têm dificuldade de auto-sustentação, mas devemos tentar incluí-las neste novo boom de desenvolvimento.
Ao mudar o eixo de decisões, impõem-se a mudança de valores. Se o modelo que vier a prevalecer significar a alteração apenas de poder será inválido. As mudanças devem estar direcionadas na redistribuição de riquezas. Os países do eixo norte devem, paulatinamente, ceder espaço e riqueza para os países do eixo sul. É este movimento que esperamos, mas também de ganhos sociais para todo o povo.
As mudanças devem tentar fazer com que mais povos, hoje alijados do desenvolvimento econômico, incluam-se na repartição do bolo maior, alcançando status de nação rica naquilo que melhor puder oferecer no mercado altamente competitivo que se inserirá. Regras precisam ser redefinidas para que se veja cada País dentro de seu potencial e o ajude a se consolidar.
- Dom Helder, o senhor como sempre não para se sonhar...
E o que devo fazer, meus filhos, senão sonhar. Se não tentarmos mudar as cabeças das pessoas, vã será qualquer movimento espiritual maior. Não tenho a ingenuidade de que tudo ocorrerá rapidamente e sem embates, claro que não, mas que mudanças ocorrerão nesta direção isto não tenho qualquer dúvida.
Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo que sei, dirige, atualmente, um conjunto de mudanças definitivas que devem ser implantadas no planeta. Não será novidade para ninguém daqui, que acompanha a macro-economia mundial, uma declaração dos países pobres, um gesto de rebeldia diante das injunções econômicas que sempre sofreram e a busca de alternativa de mudança. A Organização das Nações Unidas - ONU, embora sempre tenha pendido contra eles, poderia juntá-los num manifesto mundial pela igualdade de oportunidades.
O fato, meus irmãos, é que há decisão maior de que o período de miséria, de exploração econômica, de subtração de liberdades, de desvio de recursos públicos, de especulação e desmando ambiental, devem acabar da face da Terra.
Não há mais lugar para isso no novo mundo em construção. Não há. Se nada for feito, as crises vão se propagar ainda mais e neste jogo de empurra haverá condições desta nova ordem se estabelecer aos poucos, esta é a nossa perspectiva.
As mudanças virão, com ou sem o consentimento dos grandes, porque a Terra se renova e caminha para a sua redenção, qual o Nosso Senhor Jesus Cristo previu.
Façamos a parte que nos cabe e, então, mereceremos estar presente no grande festim de bodas que se organiza e se preconiza ser definitivo.
Que Deus nos abençoe!
Helder Camara
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